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sábado, 8 de março de 2008

Dia internacional da Mulher

Certo dia, uma mulher foi renovar a sua carteira de motorista.
Quando lhe perguntaram qual era a sua profissão, ela hesitou.
Não sabia bem como se classificar.
O funcionário insistiu: "O que eu pergunto é se tem um trabalho."
"Claro que tenho um trabalho", exclamou ela. "Sou mãe."
"Nós não consideramos isso um trabalho. Vou colocar dona de casa", disse o funcionário friamente.
Uma amiga sua soube do ocorrido e ficou pensando a respeito por algum tempo.
Num determinado dia, ela se encontrou numa situação idêntica.
A pessoa que a atendeu era uma funcionária de carreira, segura, eficiente.
O formulário parecia enorme, interminável.
A primeira pergunta foi: "Qual é a sua ocupação?"
Pensou um pouco e sem saber bem como, respondeu:
"Sou doutora em desenvolvimento infantil e em relações humanas."
A funcionária fez uma pausa e ela precisou repetir pausadamente, enfatizando as palavras mais
significativas.
Depois de ter anotado tudo, a jovem ousou indagar;
"Posso perguntar o que é que a senhora faz exatamente?"
Sem qualquer traço de agitação na voz, com muita calma, a mulher explicou:
"Desenvolvo um programa à longo prazo, dentro e fora de casa."
Pensando na sua família, ela continuou:
"Sou responsável por uma equipe e já recebi quatro projetos.
Trabalho em regime de dedicação exclusiva.
O grau de exigência é de 14 horas por dia, às vezes até 24 horas."
À medida que ia descrevendo suas responsabilidades, a mulher notou o crescente tom de respeito
na voz da funcionária, que preencheu todo o formulário com os dados fornecidos.
Quando voltou para casa, a mulher foi recebida por sua equipe: uma menina com 13 anos,
outra com 7 e outra com 3.
Subindo ao andar de cima da casa, ela pôde ouvir o seu mais novo projeto, um bebê de seis meses,
testando uma nova tonalidade de voz.
Feliz, a mulher tomou o bebê nos braços e pensou na glória da maternidade, com suas multiplicadas
responsabilidades. E horas intermináveis de dedicação...
"Mãe, onde está meu sapato? Mãe, me ajuda a fazer a lição? Mãe, o bebê não pára de chorar.
Mãe, você me busca na escola? Mãe, você vai assistir a minha dança? Mãe, você compra? Mãe..."
Sentada na cama, a mulher pensou: "Se ela era doutora em desenvolvimento infantil e em relações
humanas, o que seriam as avós?"
E logo descobriu um título para elas: doutoras-sênior em desenvolvimento infantil e em relações humanas.
As bisavós, doutoras executivas sênior.
As tias, doutoras-assistentes.
E todas as mulheres, mães, esposas, amigas e companheiras: doutoras na arte de fazer a vida melhor.
Num mundo em que se dá tanta importância aos títulos, em que se exige sempre maior especialização,
na área profissional, torne-se um(a) especialista na arte de amar.